Le Entrevistou | Psicólogo Alexander Bez reflete sobre o sucesso de Dahmer: Um Canibal Americano

Dahmer: Um Canibal Americano é um sucesso e, por isso, conversamos com o psicólogo Alexander Bez para falar um pouco mais sobre o assunto

Dahmer: Um Canibal Americano tem dado o que falar nas redes sociais. A série da Netflix, protagonizada pelo brilhante Evan Peters conta a história real do serial killer Jeffrey Dahmer. Assista ao trailer:

Porém, não é só de sucesso que vive Dahmer: Um Canibal Americano. Os familiares das vítimas estão se manifestando completamente contra, pois dizem ser retraumatizante. O próprio Evan Peters declarou recentemente que a pesquisa para interpretar serial killer foi perturbadora. Por isso, conversamos com o psicólogo Alexander Bez, que atua na profissão há mais de 20 anos.

Confira nossa entrevista na íntegra!

Le Ferrarez: Como que o sucesso da série Dahmer impacta no seu dia a dia profissional?

Alexander Bez: Apesar de muitos psicólogos estarem habilitados para tratar e diagnosticar psicoses e transtornos psiquiátricos, os sintomas quando aparecem vêm de uma forma muito abrupta, ocorrendo mais em internações psiquiátricas-hospitalar. Lembrando que a sintomatologia é a psicose, que se difere da neurose. É muito raro um psicopata procurar atendimento no consultório de psicologia, estudo muito a psicose, bem como as sintomatologias psiquiátricas, porque é um assunto que sempre me interessou. Mas, tive uns cinco casos no máximo, porque eram sintomas mais leves, sendo todos necessários ser encaminhados ao tratamento específico.

Le: Como você tem encarado a romantização do Dahmer, depois que a série foi lançada?

A.B.: Precisamos ter muito cuidado para não romantizar a psicose! É um transtorno mental sério, letal e imutável. A série tem seus méritos, mostrando até onde vai um psicopata como Dahmer. Nos EUA, ele é tido como o Monstro de Milwaukee, o que não deixa de ser retratado como a mais pura verdade. As séries (especialmente aos leigos), criam essa expectativa associada a uma romantização, porém, um profissional qualificado saberá separar a romantização da realidade. Estar atento as ações que Jeffrey Dahmer fazia é um bom passo. O importante é ter preocupação com as vítimas e as suas famílias! Jamais com monstros dessa natureza. Psicopatas não sofrem!

Le: O caso é muito problemático, e as próprias famílias das vítimas estão incomodadas com o que tem acontecido ao redor do caso. A partir do ponto de vista da psicologia, porque a série está fazendo tanto sucesso?

A.B.: Para as vítimas sempre será um agravante sério, porque faz com que elas vivenciem novamente todo aquele pesadelo! Em muitas pessoas podem desencadear um Transtorno de Stress Pós-Traumático. A série faz sucesso, porque esse tipo de tema interessa a muita gente, além da curiosidade que sempre aflora por essas questões. Dahmer foi um dos piores Serial Killers da história, ao lado de outros, como Ted Bundy, John Wayne Gacy, Richard Ramires, etc.

Le: Você acha que tem algo que seja positivo para a sociedade na trama?

A.B.: Provavelmente perceber como funciona a mente monstruosa de um serial killer, desse calibre. Afastando a romantização de um assassino em série como esse.

Le: Com o sucesso que a série vem tendo, e os holofotes aumentando ao redor do caso Dahmer, o que você acha em relação ao interesse popular por casos criminais tão intensos? E como isso reflete no seu papel nesse momento?

A.B.: As séries de crimes sempre interessaram. Dahmer foi o um serial killer que estudei ao ter entrado na Faculdade de Psicologia. Principalmente, porque naquele ano, era o ano em que ele estava em voga, pela prisão. Vale ressaltar que Dahmer era um psicopata-sádico, necrófilo, pedófilo, que tinha prazer em controlar as suas vítimas, obtendo a gratificação sexual, somente pela tortura sádica. Muitas pessoas querem compreender os psicopatas e assistindo a série entendem que possa também haver uma maior compreensão dessas ações (que se fazem imutáveis).

Alexandre Bez é psicólogo especialista em relacionamentos pela Universidade de Miami (UM); especialista em ansiedade e síndrome do pânico pela Universidade da Califórnia (UCLA); especialista em saúde mental.

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Foto de capa: divulgação