Cinelet | A Cor Púrpura: O poder da união entre mulheres negras é a essência de remake

A nova versão de A Cor Púrpura estreia nos cinemas do todo o Brasil no dia 08 de fevereiro

A Cor Púrpura já é um clássico para os amantes de cultura em geral. A história surgiu no livro de 1982, escrito por Alice Walker, foi para os cinemas em 1985 tendo como protagonista Whoopi Goldberg e direção de Steven Spilberg. Mas a obra não para por aí, tendo sua versão musical para a Broadway e já foi apresentado nos palcos daqui do Brasil em 2020.

Chegando em 2024, o filme ganhará um remake musical que estreia no dia 08 de fevereiro.

A redação do Lê Ferrarez esteve na cabine para assistir essa nova versão e te conta tudo que achamos sobre.

Agora, se você nunca viu nenhuma dessas versões, cuidado, o texto abaixo contém alguns spoilers.

Sinopse:

Celie é uma jovem que vive com o pai e a irmã em 1909, nos Estados Unidos, e enfrenta desde nova as dificuldades de ser uma mulher negra. Após ter os dois filhos -frutos do abuso sexual do pai- tirados dela, a ainda adolescente protagonista é entregue para Mister (Colman Domingo), um homem muito mais velho, agressivo e com três filhos pequenos.

Durante toda sua vida, Celie (Fantasia Barrino) passa por diferentes episódios de violência e sofrimento que a tornam uma pessoa triste, desmotivada, com uma personalidade frágil e subordinada. Porém com a chegava de Shug (Taraji P. Henson), uma cantora de blues alegre e desinibida, é que Celie aprende a se valorizar e encontra o seu lugar no mundo.

Opinião da redação:

O que pode se encontrar em qualquer versão da história de A Cor Púrpura é um drama emotivo, triste e que consegue impactar a todos que estão assistindo a história de Celie. Ele expressa de uma forma muito impactando como a mulher negra é tratada no começo do século XX, sendo desumanizada e tendo o seu lugar na sociedade apenas para servir.

Mesmo com o enredo sendo em volta de Celie, o filme fala sobre diferentes mulheres e como cada uma vive naquele contexto, como Sofia (Danielle Brooks), nora de Mister, uma mulher forte e que não mede palavras na hora de defender o que acredita. Mesmo assim, ela acaba passando por um caso de racismo ao ser destratada pela esposa do prefeito, uma mulher branca, e acaba sendo presa por não aceitar a forma como estava sendo tratada.

Até mesmo Shug sofre com o fato do pai, o pastor da cidade, não a aceitar por ter decidido se tornar uma cantora de blues.

E tem Nettie (Halle Bailey), irmã de Celie que, após uma tentativa de abuso do pai, foge de casa e vai ao encontro de Celie, mas também é atacada por Mister e acaba tendo que ir embora da cidade deixando a irmã sem notícias por anos.

Entretanto, o que mais me chamou a atenção nesse filme não foi a dor dessas mulheres, isso é muito ressaltado, sim, mas o que vale observar é a força que cada uma tem dentro de si para sobreviver e buscar o seu lugar no mundo. É algo perceptível também como elas acabam criando uma rede de apoio, amizade e força uma com as outras. Elas conseguem sua libertação e salvação através dessa sororidade e foi algo que me confortou muito em ver.

Hoje em dia é algo que vem sendo discutido, dentro do feminismo, a rede criada entre as mulheres que se ajudam e acabam sendo mais significativas até que relacionamentos amorosos ou familiares. É uma forma dessas mulheres conseguirem a força necessária para lutar por seus direitos e encontrar seu lugar na sociedade.

No filme, elas apoiam Celie na hora de se defender do marido e quando ela decide ir embora com Shug para o Mississipi após descobrir que Mister escondia as cartas que Nettie mandava para a irmã diretamente da África. Por outro lado, Celie é a base que Sofia encontra após ter sido presa por seis anos.

Na obra original, Celie e Shug acabam tendo um relacionamento que é deixado de lado no musical, tendo apenas uma canção com elas que encerra com um beijo. Mesmo assim, isso não chegou a me incomodar porque o que foi ressaltado ali é a amizade verdadeira e união entre as duas, mesmo sem um romance.

Sobre a história no geral, o roteiro segue fielmente o que está no filme e no musical, com poucas mudanças. Não achei tão ousado como prometeu ser, porém entregou cenas belíssimas durante as apresentações musicais com muitas coreografias que trazem a essência do jazz clássico do início do século que surge, exatamente, da cultura negra.

Muitas características marcantes da sociedade negra americana é expressa no filme como suas vestimentas, o jeito de falar, a união familiar – todos estão sempre juntos, mesmo que brigando- e o intenso apego a religião.

Já as músicas se encaixam muito bem na história e entram para expressar sentimentos e pensamentos dos personagens, são elas que dão a profundidade da história que não seriam entregues em um filme que não é musical.

Vale também dizer no talento grandioso dos atores, tanto na hora de atuar, como na de cantar. A potência e emoção que cada um expressa em suas músicas, era impossível não se sensibilizar. Nesse ponto, eles entregam a mesma qualidade dos musicais de palco e era como estar em um teatro vendo ao vivo.

O fato é que se você não gosta de filmes musicais, eu tenho uma péssima notícia para te dar, eles estão vindo com tudo. Já tivemos Wonka, Meninas Malvadas e agora A Cor Púrpura em menos de dois meses. Mas se você, assim como eu, é um grande fã de musicais, esse filme é um prato cheio.

Pela qualidade e sensibilidade do filme é que A Cor Púrpura vai levar cinco saquinhos de pipoca:

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Foto de capa: divulgação